Oct 16, 2013

E a gorda sou eu...

Uma abóbora nasce junto a uma courgette. O tempo passa e elas crescem felizes e contentes.
Um dia a courgette olha para a abóbora e diz:
-És mesmo gorda e anafada! Credo! Não bebas mais água!
A abóbora que nunca tinha sequer pensado sobre o assunto olha para o seu corpo arredondado e compara-o ao da sua amiga. De fato, era mais gordinha mas resolveu não ligar muito ao assunto.
Passado alguns dias, a courgette, volta a referir:
-Amiga, não bebas tanta água! Estás cada vez mais gorda!
A abóbora começou a matutar mais nesse assunto e foi ficando cada dia mais triste e descontente. Tentou não beber mais água mas tinha muita sede. Cada vez que chovia ou era regada não aguentava.
Chegou o dia da colheita. O agricultor apanhou a abóbora e a courgette e levou-as para a casa, colocando-as juntas com outros vegetais, entre os quais estava um pepino falador.
-Olá meninas!
A abóbora e a courgette mantiveram-se caladas.
-Que caladinhas!
A courgette, muito tímida, corou ao ver tão belo vegetal.
-Pensava que ia ter companhia! Estas cenouras alaranjadas não falam também!
A abóbora estava muito triste e pensativa na sua forma arredondada e não lhe ligou muito mas a courgette, convencida que era a mais bela pensou que seria o início de um belo romance.
-Olá! – Respondeu.
-Ah! Uma falou! E a tua amiga?
-Ela não é muito faladora. Aqui entre nós, tamanha gordura deve dar preguiça para tudo.
Os dois conversaram, conversaram e passaram vários dias assim.
A courgette estava apaixonada pelo pepino e um dia acordou cheia de coragem e resolveu pedir-lhe em namoro:
-Olha estava a pensar! Nós os dois poderíamos ter uma relação mais séria, o que achas?
O pepino franziu o sobrolho e disse:
-Desculpa, eu pensei que éramos só amigos, sabes! É que eu gosto de meninas mais,…mais…
-Mais o quê?
-Mais magrinhas! Tu não és o meu tipo!
A courgette olhou para o seu corpo e para o do pepino e reparou que tinha uma parte mais arredondada. Ficou destroçada!
Sua amiga, a abóbora já tinha partido. O filho do agricultor desenhou-lhe uns olhos e uma boca e levou-a para o dia das bruxas. Estava sozinha, com os seus pensamentos.
Não percebeu a tempo que todos somos diferentes. Uns mais gordos, outros mais magros, mais altos ou mais baixos e que haverá sempre alguém com mais qualquer coisa em relação a nós mas nunca mas nunca igual a nós mesmos!

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