Nov 26, 2012

Desejo que quero ou que é possível?

Num recreio, de uma escola primária, dois meninos discutiam e partilhavam os itens das listas de pedidos ao Pai Natal: 
- Eu quero um avião! – Dizia um deles. 
- Isso, eu já tenho! Quero um comboio! – Referia outro. 
A conversa decorria sobre os catálogos das lojas de brinquedos e sobre as últimas novidades. 
 À distância estava um outro rapaz a observar, cabisbaixo. 
 Os dois meninos continuavam até que entraram em conflito, pois ambos tinham chegado à conclusão que queriam os mesmos brinquedos.
 -Tu querias um comboio porque já tinhas um avião! Queres outro para quê?
 -Porque o que tu falas é muito mais moderno do que o meu. Faz mais coisas! 
-Então também vou querer um comboio como o teu! 
De repente, um dos meninos reparou que estavam a ser observados por outro e chamaram-no para os ajudar a decidir:
 -Olha lá! Tu que estás ai a ouvir a nossa conversa não achas que eu deveria ter o avião e ele, o comboio como inicialmente. Está a ser egoísta. Só deseja o avião porque eu o quero!
 O menino muito calado. 
-Estás a ouvir! Se calhar és surdo! 
O rapazito, com uma voz trémula, disse:
 -Eu acho que cada um de vocês deve desejar aquilo o que não têm e pode comprar! 
Os outros dois meninos olharam um para o outro com ar de espanto. 
-Nós, não compramos nada! São os nossos pais. Eles podem sempre! 
-Está bem!
 Não contentes com a resposta, insistiram: 
-Tu querias qual? 
-Nenhum! 
-Estás a ver! Este ainda é mais esperto que nós! Já deve ter os brinquedos todos! O que vais pedir? Conta! Conta! 
-Nada! 
Os outros dois olharam com ar surpreendido. 
-Nada! Os teus pais adivinham sempre o que queres é? 
-Não! 
-Ah! Já sei! Os teus pais devem ser como os meus avós.  Nunca ouvem o que eu peço e dão-me sempre um brinquedo repetido ou que não interessa a ninguém! 
-Isso é muito chato! – Respondeu o outro. 
O rapaz, muito triste:
 -Também não!
 -Puxa! Então, tu não tens os brinquedos que desejaste nem os que não desejaste, tens o quê? 
-Os que são possíveis!
 Os meninos olharam um para o outro como se aquele conceito fosse algo vindo de outro planeta e não discutiram mais o tema.

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