Jun 18, 2012

O poder da rocha

Esticada numa rocha estava uma lagartixa a tentar apanhar sol. O tempo estava ameno e o céu nebulado. As nuvens eram empurradas por uma aragem vinda do topo das montanhas. Ocasionalmente, tapavam os raios de sol e a sombra arrefecia o seu corpo. Não desistia. Olhava para o céu e esperava que passasse.
O silêncio do seu repouso apenas foi interrompido por um “tap-tap” vindo das ervas. Olhou à sua volta, não viu nenhum humano e por isso não se preocupou.
O sol voltou por uns momentos e fechou os olhos para melhor relaxar.
-Olá! Olá! – Surgiu uma voz ao seu lado.
Meio irritada pela interrupção mas demasiado anestesiada pelo calor, perguntou sem abrir os olhos:
-Sim, quem fala?
-Curi, muito prazer!
-O que és e o que desejas? Não sabes que interrompes o meu sossego?
-Desculpa! Estou apenas de passagem. Sou um gafanhoto saltitante.
-Então, muito prazer e adeus!
-Puxa, já te disseram que és muito simpática?
A lagartixa, farta da conversa e sem querer perder raio de sol daquele intervalo entre as passagens das nuvens já não tinha muita paciência. Contudo, não era antipática por natureza. Só que naquele dia estava tão difícil aquecer.
-Desculpa também! Não queria ser malcriada. Só que ultimamente o tempo tem estado tão instável e já era altura de o sol governar os céus mas as nuvens não o largam. Tenho sangue frio e preciso de aquecer. A minha vida não tem sido nada fácil.
O gafanhoto não percebia bem o desespero da lagartixa. Andava sempre a saltar de um sítio para o outro. Sempre que não estava bem, encolhia as suas fortes patas, dava um impulso e saltava para outras paragens à procura de melhor.
-Então, porque não vais para um lugar que esteja quente o ano inteiro?
A lagartixa sorriu:
-E onde seria isso? Eu já passo muito tempo debaixo desta grande rocha para me proteger do frio mas não me aquece.
O gafanhoto, muito viajado, lembrou-se que um dia tinha passado por um estábulo bem quentinho. Cheio de vacas.
-Olha vem comigo!
-Para onde?
-Vá lá! Eu sei de um sítio que está quente o ano inteiro!
A lagartixa já cansada do vai e vem das nuvens e de ouvir o gafanhoto resolveu ir.
A saltitar e a correr lá foram.
Passados algumas horas, chegaram a uma casa de madeira.
-Anda! É ali dentro!
A lagartixa passou por uma fresta e o gafanhoto por um buraco um pouco mais acima.
-Ahh! Aqui está tão quentinho! Não preciso de esperar pelo Sol – Exclamou a lagartixa.
-Vês e foi muito fácil! Agora tenho de ir!
Curi saltou dali, para fora.
A lagartixa escolheu um local e ali ficou.
Ao final do dia, as vacas vieram do campo e junto com elas veio um cão pastor muito cioso pelo seu rebanho. Assim que entrou no estábulo começou logo a farejar o ar notando algo de diferente. Correu em direção à lagartixa a ladrar. A nossa amiga ficou cheia de medo e fugiu para fora do estábulo.
Cá fora respirou de alívio. O entardecer trouxe o frio e a lagartixa não via ali nas redondezas nenhuma rocha para se esconder. No chão só havia restos de palha. Andou e andou até achar uma folha de couve velha e escondeu-se lá debaixo para não ser comida pelas corujas durante a noite.
No dia seguinte, tentou achar a sua pedra. Quando a encontrou sorriu de contente. Ali o calor não era sempre garantido mas sabia como o obter.

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