Jan 9, 2012

Vistos aqui de cima:)

Relato de viagem do Pombo Topé 1:

Aproximar, baixar devagar, escolher poiso…Deixa-me ver! Semáforo, não, muito quente! Outdoor de publicidade, muito frio! Aquelas imagens da neve arrepiam-me! Poiso escolhido: sinal de trânsito!
Ora deixa-me ver o que diz: Alvalade para esquerda, Praça de Londres para a direita. Este poiso é engraçado porque se vêm os carros a passar e o que os humanos fazem nos carros quando estão parados. Têm comportamentos mesmo estranhos.
Olha, aquele que vai virar à esquerda. Tem uma fêmea. Está a maquilhar-se! Será que vai ver a mudança de cor do semáforo. Não! Ai! Levou uma buzinadela e pintou as bochechas. Ai! Ficou chateada e esbraceja. Como é que ela conduz com uma só pata? É incrível.
Cai o vermelho. Agora parou um macho. Tirou um objeto e está a arrancar os pelos da cara. Os humanos chamam de fazer a barba. Nunca percebi este ritual de tortura. Jamais arrancaria as minhas penas. Aliás quando aquele borracho com quem eu ando a sair, lá do telhado, se entusiasma e me arranca uma pena do rabo apetece-me dar-lhe bicadas!
Agora estão três lado a lado. Têm todos um aparelho junto às orelhas. Creio que o usam para falar a distância. Eu gosto de falar pessoalmente. O que seria tão urgente para falar enquanto voava? Nada! Como é que eles conseguem guiar com uma só pata, reafirmo que é para mim um mistério. Ainda no outro dia magoei uma asa num arame e tive que voar magoado. Passei o dia todo a chocar com os postes e as árvores! Fartei-me de comer folhas em voo!
Ah! Ali está um dos meus preferidos. Os condutores com ritmo! Parece que eles têm uns aparelhos que tocam música no interior dos carros. É das características dos humanos que mais admiro. Eles combinam sons. Gosto de os ver aqui de cima. Uns abanam a cabeça, outros, um dos braços, como se tivessem a atirar coisas invisíveis. São muito engraçados. Parecem uns doidos animados! Pensando bem, quando eu tentei conquistar a minha borrachinha também devo ter feito umas figurinhas! Ai o amor!
Bem, está na hora de ir comer. Deixa-me ver, para esquerda tenho restos de bolacha dos gelados da Conchanata e à direita, bolos-rei da pastelaria Mexicana. Espera a Conchanata deve estar fechada porque estamos no Inverno. Ora, Bolo-rei, aqui vou eu.

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