Apr 19, 2011

Mariana e o teatro

imagem: net



As noites eram frias e nada de passava de interessante na TV. Reinava um silêncio naquele serão que fez fervilhar a imaginação de Mariana.


-Avô, vou fazer uma peça de teatro!


Já habituados às iniciativas da pequena, os avôs aguardaram com ansiedade e carinho toda a preparação. Mariana subiu ao quarto da mãe e começou à procura de roupas e calçados seus já não usados.


O tempo corria e o sono ameçava os olhos cansados dos idosos mas o carinho pela neta deram-lhe ânimo para aguardar.


Começou-se a ouvir um "clok, clok", pelas escadas de madeira e um "Knock Knock", na porta de entrada.


Já sabiam quem era porque a porta tinha vidro e via-se do outro lado um pequeno reflexo vermelho.


-Quem é?- perguntou a avó.


É o capuchinho vermelho que se perdeu no mato, não encontrou a casa da avó.


Seu avô levantou-se e abriu a porta. Mariana, vestia um vestido vermelho que arrastava pelo chão e uns sapatos muito maiores que os seus pezinhos. Na mão trazia uma mala velha da mãe.


-Olá capuchinho, aonde mora a tua avó, como se chama?- entrou no jogo o avô.


-Chama-se Conceição, vende pão e ia visita-la, quando me perdi.


A avó levantou-se do sofá com alguma dificuldade e chamou-a para a janela.


-Olha lá fora, vês as chaminés? Aquela que deita mais fumo é a da tua avó porque se ela faz pão, a esta hora está a trabalhar.


-Muito obrigado meus senhores!


Voltou as costas e fez de conta que saiu. Passado uns momentos regressou à sala e já era hora de ir dormir.


Não interessava se a história estava bem contada, se a vestimenta estava a rigor, apenas foi importante o carinho da neta ao preparar-se e o dos avôs ao fingir. A Tv, naquela noite deixou de ser o elemento central daquela família.

3 comments:

Eva Gonçalves said...

Estas encenações e representações do imaginário infantil, são muito importantes no desenvolvimento das crianças e devem ser encorajados pelos adultos e educadores. Se os serões em família fossem mais vezes passados neste tipo de actividades, em vez de simplesmente se verem telenovelas na tv, a criatividade, auto-confiança e capacidade de comunicação das crianças desenvolviam-se muito mais!! para não falar nos momentos agradáveis em família :)) beijinho

Diário de um Anjo said...

Foi com essa intenção que imaginei esta pequena história. Quando eu era pequena sempre fui incentivada a criar, fosse o que fosse e estou muito grata por isso pois hoje sinto-me muito mais feliz e de certa forma ajuda-me a ultrapassar alguns momentos menos bons.
Beijinhos

Elisabete Lira said...

Seu blog é muito interessante...
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