Dec 18, 2014

Bengala de Natal

Num centro comercial perto de todos nós havia uma menina vestida de mãe Natal a distribuir um mimo a todos os clientes. Estava a dar bolachas em forma de bengala de Natal.
Chegou ao pé de uma senhora idosa que estava sentada e perguntou:
-Deseja uma bolacha?
A senhora acenou com a cabeça que sim.
A rapariga colocou a bolacha em cima da mesa e foi embora.
A senhora quando viu o que se tratava achou tão bonito, embrulhou a bolacha no guardanapo, colocou no bolso e levou para o seu neto.
Quando chegou a casa disse:
-José tenho aqui algo para ti!
O menino ao desembrulhar o doce, os seus olhos brilharam mas passado pouquíssimo tempo ficou imensamente triste.
Sua avó perguntou:
-Não gostaste? Achei tão bonita!

-É muito bonita avó mas…
-Mas o quê?
-Preferia que ao invés de te darem bengalas te dessem novamente capacidade para andar.
As lágrimas, quase caiam dos olhos de sua avó, que já há muitos anos só andava com o auxílio de muletas.

-Meu querido menino! Isso infelizmente já não é possível! No entanto, esta bengala é a mais bela e doce que alguém um dia me ofereceu. Tens que aprender a encontrar o lado positivo nas coisas pois em tudo na vida existirá sempre um lado mau e se olhares sempre para ele nunca irás ser feliz.

Dec 12, 2014

Sonhos de Natal da Pedra

O frade andava de terra em terra a pedir e certo dia bateu à porta de uns lavradores na véspera de Natal que não lhe quiseram dar nada.
-Bem, sendo assim vou fazer um caldo com esta pedra e para sobremesa, dado que e uma noite especial, vou fazer sonhos de Natal sem farinha.
O casal de lavradores já tinha ouvido a história deste frade que fazia um caldo com a pedra mas sonhos sem farinha, estavam curiosos.
-Já ouvimos falar do teu caldo da pedra mas sonhos de Natal sem farinha? Não acredito! – Exclamou logo a senhora, como dona das artes culinárias lá de casa!
-Minha cara senhora! Claro que é possível! Eu explico-lhe se me oferecer um pouco do seu caldinho com um casqueiro, pode ser daqueles que estão ali no saco!
-Ah, esses são para dar na saída da igreja aos pedintes após a missa do galo!
-Obrigada! Pode ser!
A mulher do lavrador encaminhou o frade para a cozinha e deu-lhe uma malga de caldo com o casqueiro duro que lá tinha.
O frade sorveu o caldo mas deixou o casqueiro.
-Então agora que comeu? Explique-me como faz sonhos de Natal sem farinha?
-Oh minha senhora, para tal preciso de ovos!
A mulher foi ao galinheiro e trouxe uns ovos frescos.
-Sim e agora?
-Agora senão se importa um pouco de leite e açúcar.
A lavradora assim fez. Até colocou a frigideira ao lume com óleo e tudo.
O frade lavou a tigela da sopa, partiu os ovos lá pra dentro, adicionou o açúcar e o leite.
A mulher de olhos abertos e mãos na anca:
-Vá e agora?
O frade tirou a pedra da sua bolsa e começou a apedrejar o casqueiro que estava tão rijo que se desfez quase em farinha. Agarrou nas migalhas e colocou-as na tijela. Amassou tudo com as mãos, formou umas bolas e colocou-as na frigideira a fritar.

A senhora espantada não quis acreditar! Jamais pensaria em fazer sonhos com o pão rijo que iria dar aos pobres.

Dec 11, 2014

As decorações de Natal de Peter Pan

Na casa de João, Miguel e Wendy preparava-se o Natal. O que mais gostavam era a decoração da árvore.
Era uma tarefa realizada em família. Estavam todos na sala nessa noite e nunca mais iam para o quarto. Peter Pan tinha entrado pela janela e aguardava os seus amigos para mais uma viagem à terra do Nunca. Intrigado resolveu espreitar pela janela da sala e ver o que se passava. Viu que seus amigos estavam tão felizes que, sentiu um bocadinho de inveja. Queria ir lutar contra o Capitão Gancho nessa noite.
Contudo os seus amigos estavam tão entusiasmados que ficaram cansadíssimos com a animação. Adormeceram todos no sofá em frente à árvore de Natal. Seus pais levaram-nos ao colo para a cama para dormirem.
Aborrecido, Peter Pan, consumido pela inveja, entrou na sala da família Darling e ficou a olhar para a árvore de Natal intrigado. Na terra do Nunca havia coisas muito mais interessantes que aquela árvore. O que era aquele brilho das luzes comparado com o brilho da Sininho, por exemplo. Então teve uma ideia, pegou num bloco de desenho que estava perdido na sala e desenhou cada um dos personagens da terra do Nunca. Desfez a árvore da família e colocou os seus desenhos.
-Agora, sim está linda!
Não contente com a sua obra foi até ao quarto dos seus amigos e acordou-os para ver a sua surpresa.
Quando os seus amigos chegaram cá abaixo meio estremunhados ao contrário do que Peter pensou ficaram muito tristes.
-O que fizeste Peter? – Perguntou Wendy.
-Não acham que esta árvore está mais bonita que aquela que tinham?
Voou para o lado da árvore e apontou para um desenho:
-Olhem o gancho! Não está o máximo!
-Peter! Destruíste a nossa árvore!
-Eu não a destrui! Apenas a tornei mais bonita e animada! Aquelas bolas e luzes eram muito aborrecidas!
-Não entendes, pois não?
-Entendo o quê?
-A árvore é bonita porque é feita com os nossos pais que quase nunca estão connosco. Será sempre bonita por isso mesmo!
Peter franziu o sobrolho.
-Mas não gostam desta?
-Mana e árvore que fizemos com os nossos pais? Eles vão ficar tristes!
De repente, a estrela do topo da árvore começou a brilhar e transformou-se na Sininho que começou a voar à volta da árvore, às voltas, às voltas, tanto que deixou as crianças tontas. Tão tontas que tiveram que fechar os olhos para não cair. Quando voltaram a abri-los a árvore voltou a ser como era.
As crianças ficaram tão felizes que até os seus olhinhos brilhavam:
-Obrigada, Sininho! – Disse a Wendy.
Peter agarrou nas mãos dos seus amigos e voaram até ao quarto.
-É melhor irem dormir! Já é tarde! – Mandou a Wendy.
Peter Pan esperou que eles adormecessem. Viajou até à terra do Nunca e trouxe de lá um pinheiro, plantou-o numa concha gigante cheia de terra, colocou-o no quarto de seus amigos e decorou-a com os seus desenhos.

Quando eles acordaram viram a prenda que Peter lhes tinha deixado. Ele tinha percebido que tudo na vida tinha um lugar próprio, a família e os amigos.

Dec 10, 2014

A ceia de Natal romântica da Carochinha e do João Ratão

Estavam os dois muito felizes pois era o primeiro ano em que passavam o Natal juntos. A Carochinha tinha decorado a sua casa e João Ratão a janela aonde conhecera a sua amada. Faltava agora decidir o que fazer para sobremesa da Ceia de Natal.
-Estou a pensar em fazer uns sonhos de pulgões das couves! O que achas amor? – Perguntava a Carochinha.
-Blgh, que nojo? Não podem ser uns de queijo da Serra da Estrela?
-Ohh amor! Achas que eu, Carochinha bela e esbelta vou comer queijo? E a minha linha?
Era a primeira vez que os dois desacordavam nalguma coisa.
-Mas Carochinha linda! Pulgões? Não consigo come-los! Até acho que eles dão um ar fofinho às folhas de couve!
Tanto a Carochinha como João Ratão não sabiam o que fazer. Alguém tinha que ceder!
-Querida! Faz lá os pastéis que tu tanto gostas!
-Não amor! Eu faço os de queijo! Não quero que passes o nosso primeiro Natal sem uma das tuas guloseimas preferidas.
-Faz os de pulgões!
-Não! Faz os de queijo!
-Pulgões!
-Queijo!
E assim continuaram…até que começaram a repetir tão rápido que o João Ratão se confundiu todo:
-Pulgões de queijo!
-Ãh? – O que disseste João?
-Baralhei-me todo!
-Tive uma ideia! Vou fazer uns de queijo e uns de pulgões. Assim todos ficamos contentes.
O casal olhou olhos nos olhos e descobriu a forma que o amor encontra para resolver os atritos: a partilha.

Tiveram um Natal muito delicioso e especial em que ambos levaram uma parte do que os fazia felizes antes de se conhecerem e partilharam aquilo o que a união lhes ofereceu.

Dec 5, 2014

Humpty Dumpty salva Natal

Humpty Dumpty estava sentado no muro quando apareceu um duende atarefado e gritar:
-Rodolfo, Rodolfo, volta que o Pai Natal precisa de ti! Rodolfo!
Humpty Dumpty desconfiado pergunta:
-Quem és tu e o Rodolfo? Algum viajante de outro reino?
-Sim! Somos de um reino a Norte, do Gelo.
-E esse teu amigo que procuras? Porque fugiu ao Pai?
-Não fugiu do Pai dele ou melhor fugiu do Pai do Natal de todos!
Humpty Dumpty abanou as suas perninhas e coçou a sua casca de confuso.
-Não entendi nada!
-Eu explico! No meu reino existe um senhor chamado Pai Natal que, uma vez por ano entra num trenó de renas mágico e distribui prendas por todas as crianças.
-Ahh a sério? Bem, se fosse aqui a Rainha de Copas já lhe tinha mandado cortar a cabeça!
-Pois, eu nem deveria estar aqui e muito menos o Rodolfo.
-E quem é esse Rodolfo?
-Oh é uma das renas! E ela veio para aqui.
-Veio como?
-Oh, ela é muito vaidosa, sabes! Encontrou um espelho que o Pai Natal tinha feito para uma das crianças, uma tal de Alice e resolveu observar o seu nariz vermelho, o seu grande orgulho. Só que depois desapareceu.
-Ah! E como sabes que veio para aqui?
-Foi o Pai Natal que me disse! Aquele espelho era para fazer a Alice viajar entre reinos.
-Hum, ui se a Rainha de Copas o apanha está feito!
-Não sei o que faça! Não vai haver Natal!
-Então e se o atraíssemos aqui ao pé de nós!
-Como?
-Não disseste que ele é vaidoso?
-Sim e dai? Não estou a perceber!
-Deixa comigo!
-Coelho Branco! Coelho Branco!- Gritou.
De repente apareceu, a correr, um coelho com um relógio de bolso.
-Diz que estou com pressa!
-Olha, sabias que existe um forasteiro, uma rena com nariz vermelho no reino? Gostava muito de ver seu nariz!
-Está bem!
-Quem é? – Perguntou o duende.
-O Coelho Branco corre o reino de uma ponta a outra, várias vezes por dia.
-Ai é?
Mal o duende acabou de falar e apareceu o Rodolfo junto ao lado oposto muro.
-Quem quer ver o meu nariz?
-Olá Rodolfo!
-Como sabes o meu nome?
-Sei que além do teu nariz diferente tens outras qualidades!
-Tenho? Quais?
-Tens um excelente coração e é por isso que sempre quiseste ajudar o Pai Natal!
Rodolfo baixou a cabeça.
-É verdade! Não sei como hei-de voltar para lá! Fiquei demasiado vaidoso! O Pai Natal não me vai querer mais.
Dito isto o duende pula o muro e aparece.
-Rodolfo, o Pai Natal gosta e sempre gostará de ti.
-A sério? Como podemos voltar?
-Tens o espelho?
-Sim!
-Espera! Antes de irmos preciso de agradecer a este meu amigo!
-Não agradeças! Vão e continuem a dar prendas às crianças sempre!
-Queres vir connosco?
-Não! O muro é a minha casa!


O duende e o Rodolfo olharam os dois para o espelho, desapareceram e voltaram a aparecer na casa do Pai Natal mesmo a tempo de partir mais uma vez.

Dec 4, 2014

Pinóquio e a sua árvore de Natal de farpas

Pinóquio perguntou a seu pai Gepeto, enquanto observava as pessoas pela janela da oficina aonde tinha sido criado:
-Pai, porque é que as pessoas estão a enfeitar as casas e andam de um lado para o outro com sacos cheios?
-Porque se aproxima o Natal.
-Hum e o que é?
-É a altura do ano aonde os humanos comemoram o nascimento de Jesus e como tal decoram as suas casas e oferecem presentes uns aos outros como os Reis ofereceram ao menino. Acho que já te tinha contado essa história.
-Ah, a da estrela e de Belém?
-Sim essa!
-Também quero decorar a nossa casa pai!
Gepeto já não festejava há muitos anos o Natal mas, este ano como tinha um filho de facto, fazia sentido mas não tinha muito jeito.
-Queres uma árvore de Natal é?
-Sim!
O velhote pensou que esse ano não tinha sido assim tão avantajado financeiramente para se dar ao luxo de comprar um pinheiro e ainda por cima tão perto do Natal, cujo preço estaria empolado de certeza.
Nessa noite teve dificuldades em adormecer, a pensar como iria dar ao seu filho uma árvore. Não tinha mesmo jeito nenhum e naquela oficina a única coisa que havia eram restos de madeira já envelhecida e serradura espalhada pelo chão. Deu voltas e voltas na cama e não conseguiu pregar olho.
Assim sendo, levantou-se muito cedo para trabalhar. Tinha umas pernas de uma mesa para arredondar e pregar. De repente enquanto alisava a uma tábua de madeira reparou que havia umas lascas que ficavam encaracoladas e teve uma ideia. Agarrou num tronco velho que estava na oficina e cortou-o em forma de cone. Depois com uma espátula fez sair umas lascas encaracoladas, como se fossem ramos.
Entretanto Pinóquio acordou e reparou que num canto da oficina junto à janela agora tinha uma árvore.
-Pai conseguiste!
-Gostas? Agora preciso da tua ajuda para enfeitar.
Pinóquio coçou o seu nariz a pensar. Lá fora o Inverno marcava a estação e umas folhas vermelhas caiam da árvore em frente.
-Pai, pai, já sei! Penduramos aquelas folhas vermelhas.
Gepeto foi à rua apanhar as folhas. As pessoas passavam e olhavam-no de soslaio mas como ele era um velhote estranho ignoraram.
Foi para dentro e pendurou as folhas na árvore com corda atada aos caules.
-Está linda pai.
-Agora faltam as luzes, filho! Mas eu não tenho dinheiro para comprar.
-Não faz mal.
O dia foi passando e Pinóquio não largou o pinheiro e a janela por um minuto. Quando anoiteceu, as luzes na rua acenderam-se.
-Pai, pai!
-Diz Pinóquio!
-Já temos luzes!
O velho olhou para a árvore e por entre as farpas de madeira e as folhas vermelhas as luzes do candeeiro da rua brilhavam quase como se tivessem dentro da oficina.

Gepeto sorriu e nessa noite dormiu um sono sossegado porque tinha conseguido dar ao seu filho uma bela árvore de Natal mesmo sem gastar nenhum dinheiro.

Dec 1, 2014

A ceia de Natal dos três porquinhos e o lobo mau

Era o primeiro Natal que os três porquinhos passavam na sua nova casa feita de tijolo. Era muito mais quente que as anteriores e sentiam-se seguros lá dentro.
Decoraram a sua árvore de Natal e este ano pela primeira vez, a sua chaminé que os mantinha mais quentes ainda.
Na véspera de Natal a agitação era grande para preparar a ceia. Estavam muito felizes porque pela primeira vez anteviam uma consoada em paz longe do perigo do lobo mau.
-Este ano está tudo tão calmo que até o trabalho de preparação da ceia é diferente!- comentava o mais novo dos porquinhos.
-É verdade! Nos anos anteriores embora as tarefas fossem semelhantes eram feitas com receio que o lobo mau aparecesse- referiu o porquinho do meio.
-Hum! Vocês deveriam estar contentes!
-Sim, estamos!
As horas passavam e já estava a anoitecer. Estava tudo preparado. A mesa posta e a ceia ao lume.
Os três porquinhos olharam todos uns para os outros, sentados à frente da lareira e apesar da paz sentiam falta de algo.
Lá fora o Inverno marcava a época e nevava abundantemente. O vento soprava e de repente por entre os seus assobios surgiu um som de uivo gelado e esbatido no monte. Era o lobo que passava a noite ao relento e ao frio.
-Ai! É o lobo! – Temeu o porquinho mais novo, parece triste.
-Os lobos são selvagens e maus! Devem estar ao relento! – Respondeu logo o porquinho mais velho.
A ceia ficou pronta e estavam já todos a mesa quando mais um uivo se ouviu no meio dos assobios do vento.
-Mano e se desse-mos um pouco da nossa ceia ao lobo? – Perguntou o mais novo dos porquinhos.
O irmão mais velho franziu o sobrolho.
-Como é que lhe damos uma parte da ceia sem que ele nos coma? Ein?
-Colocamos à porta, assobiamos e fechamos rapidamente.
Apesar de muito desconfiado assim fez.
Quando o porquinho abriu a porta o lobo mau estava deitado no meio da neve. Seus manos quando viram ficaram com pena e iam sair quando seu mano mais velho fechou logo a porta impedindo-os.
-Vocês estão doidos! Uma coisa é dar a nossa comida ao lobo, outra é darmo-nos a nós mesmos como sua refeição.
Os porquinhos correram para a janela e viram o lobo mau, levantar-se e correr para a porta como se nada tivesse. Comeu a comida e partiu.

Os irmãos voltaram para a ceia, agora mais descansados. Apesar do perigo, sentiam que tinham feito uma boa acção mas todos tomaram consciência que o bem ao próximo tem um limite que é a sua própria integridade.

Nov 26, 2014

A árvore de Natal da Branca de Neve

Na casa dos 7 anões estava uma agitação enorme para a preparação da ceia de Natal. Todos montavam o pinheiro mas as decorações eram sempre diferentes todos os anos. Havia uma tradição entre os irmãos em que cada um fazia um elemento decorativo para a árvore sempre com coisas da floresta. Ninguém ganhava a ninguém mas todos ficavam felizes por ter sempre a árvore mais bonita cada ano que passava.
Este ano não era exceção. A recém chegada Branca de Neve tinha-se oferecido para fazer os doces de Natal e tinham uma motivação extra.
Feliz tinha sugerido aos irmãos decorarem a árvore com branco como a pele da sua mais recente amiga e vermelho como os seus lábios.
Assim sendo, os irmãos foram à floresta. Uns recolheram bagas, outros, maçãs vermelhas e até folhas vermelhas.
A tradição era ninguém saber o que o outro traria e ser surpresa na véspera de Natal. A agitação era enorme e finalmente chegou a hora para todos mostrarem o que tinham trazido. Quando abriram as suas sacolas de pano ficaram todos boquiabertos. Ninguém se havia lembrado de trazer algo branco.
-E o branco? – Perguntou Dunga.
-Lembrei-me mas o que havia de trazer? Pedras brancas são pesadas e a neve derrete-se. – Respondeu Feliz.
-Vamos por as decorações, por as luzes e ver como fica! – Sugeriu o Mestre.
-Apaguem as luzes! – Disse o Zangado!
Os irmãos sentaram-se todos a volta da árvore sem saber o que fazer. Era o primeiro ano em que não se tinha cumprido o objetivo. A Branca de Neve estava muito ocupada a fazer doces na cozinha quando de repente ficou sem luz. Ficou assustada. Pensou que fosse a Rainha Má. Agarrou no rolo da massa e dirigiu-se em direção à sala. Estava tudo muito escuro e não reparou aonde pôs os pés. Tropeçou em algo e caiu:
-Ai! – Gritou estatelando-se no chão.
Mestre correu,ligou logo a luz e correu em direção à sua amiga.
-Vossa majestade está bem?
-Sim.
-Mestre, mestre, olha a árvore! Está branca como a neve! – Exclamaram todos em uníssono.

Branca de Neve havia tropeçado num saco de farinha e,seus grãos espalharam-se e caíram em cima da árvore. Algo que jamais os anões tinham pensado. Ficaram todos muito felizes pois mais uma vez, todos juntos conseguiram ter uma árvore mais bela de sempre.

Nov 25, 2014

O Natal do capuchinho vermelho

O capuchinho vermelho acordou num dia frio de inverno, véspera do dia de Natal. Todos os dias ia visitar a sua avó e levava-lhe comida. A avó neste Natal ,não passava com a família e logo não estava com a sua neta. As famílias não se davam bem desde o falecimento do avô nesse ano e a avó preferiu ficar, sozinha, na sua casa na floresta. As partilhas da herança afastaram as pessoas. Contudo, o capuchinho fez questão de a ir visitar, fazendo ela própria as bolachas de natal.
Vestiu o seu casaco vermelho e lá foi. Estava muito vento e frio mas não desistiu.
Quando chegou à porta de sua avó viu que a sua casa estava coberta de neve mas não tinha nada a indicar que era Natal.
-Avó, não colocaste decorações de Natal este ano?
-Não me apetece, minha querida!
-Gostava de estar contigo esta noite!
-Não fiques triste!
-Costumavas sempre chamar-me para ver o pinheiro do jardim que tu e o avô decoravam.
-Sim! Mas uma árvore deve ser decorada com amor e partilha e este ano não tenho ninguém. Melhores anos virão.
-Está bem! Fiz-te as bolachas de castanha que tanto gostas!
-Obrigada. Vou guarda-las para depois da ceia. Agora vai-te embora que está a ficar muito frio e os teus pais vão ficar preocupados.
O capuchinho vermelho vestiu novamente o seu casaco e saiu.
Já cá fora, o vento soprava fortemente. Estava muito triste e as lágrimas começaram a cair pelos seus olhos aquecendo a sua face. Virou-se para trás e reparou que o pinheiro que seus avós costumavam decorar ainda lá estava, cheio de neve. Retirou o seu casaco vermelho e colocou-o em cima da árvore.
Só que estava muito mas muito frio e seu corpo foi cedendo ao gelo e caiu no chão perto do pinheiro.
Seus pais estavam preocupados e resolveram ir à sua procura. Quando chegaram a casa da avó encontram-na caída no chão.
-Minha filha, que fazes aqui sem casaco?
Ela tremia de frio mas ainda conseguiu falar:
-Partilho a decoração da árvore de Natal com a avó!
Os olhos de seus pais encheram-se de lágrimas.
O barulho fez a avó sair de casa e encontrou a sua família a volta de um pinheiro decorado com um casaco vermelho cor de sangue.
-O que se passa?
-Avó! Gostas da nossa árvore?- Perguntou o capuchinho.
-Entrem em casa e venham aquecer-se por favor.

Entretanto caiu um nevão que os obrigou a ficarem juntos naquela noite. Não houve prendas, não houve jantar avantajado mas apenas uma sopa e as bolachas de castanhas do capuchinho. Aqueles momentos fizeram recordar a todos que, há coisas mais importantes que os bens e herança que os fizeram separar. Tiveram o mais rico e feliz Natal de sempre.

Nov 12, 2014

Diálogo de uma castanha com seu pai, castanheiro

-Pai, porque é que temos uma casca com espinhos?
-Para te proteger no início de vida!
-Pai, porque é que temos uma segunda casca tão resistente?
-Para te apoiar no salto para a vida!
-Pai, porque é que temos uma terceira casca tão amargosa!
-Para te defender da mágoa da vida!
-Pai, porque é que somos tão duras?
-Para que te provar que, mesmo depois de tanta protecção terás que contar com a tua própria resistência.

Participação Fábrica das Letras