Sep 6, 2017

Tua Mãe

Ser Mãe:
é esquecer de si própria,
é deixar de viver a sua vida,
é ignorar as suas tristezas para fazer sorrir,
é ter dois tempos, um em que o tempo voa quando está com os filhos e outro que demora a passar quando está longe,
é perceber o que os filhos sentem com um olhar,
é ter a capacidade de deixar de ser feliz para deixar ser feliz,
é dar o que tem e o que não tem,
é deixar de ser para ensinar alguém a ser.

Aug 21, 2017

Adeus meu par

O que se pode dizer de um pai que: abdicou da sua propria felicidade para proteger a filha, que trabalhou para além das suas forças para a criar, que ignorou os seus preconceitos para aceitar a felicidade do seu rebento, que chorou a vida toda por dentro com um sorriso nos lábios?
Apenas que foi o melhor Pai que uma filha poderia ter.
Posso não te voltar a ver, posso não voltar a ouvir-te, posso não voltar a abraçar-te mas vou dançar contigo para sempre num baile só nosso.

Apr 2, 2017

A ti

Sinto falta do Sol,
Mas já o senti,
Sinto falta do ar,
Mas já o senti,
Sinto falta de quase tudo,
Mas já vivi.

O que falta viver,
Depende de ti mãe natureza,
Tal como tu, mãe, eu sofri,
Protegi a tua neta com todas as minhas forças,
Fiz o que pude e arranjei forças aonde nem sabia que tinha.

Parei de viver,
Por vezes de sentir,
E muitas vezes de pensar,
Para deixar o tempo passar.

O tempo, essa corrida de lebre para quem o tenta parar,
E caminhada de tartaruga para quem o quer ultrapassar.

Agora mãe, entrego a ti, o resto das minhas forças....

Feb 7, 2017

Pétala de cristal

Delicada, sensível,
Extremamente frágil,
Suportas no meu ventre,
Parte de mim,
A minha esperança,
O meu desejo de dar vida,
O meu sonho de ser mãe.

Pétala sensível que carrego,
Com medo de partir,
Com medo de perder.

De coração nas mãos me deixas,
Com a vida parada,
Abandonada lá fora.

Não me deixas viver,
Mas sim anseias que te mime,
Que te idolatre para que essa vida,
Que suportas em mim a mim me possas dar.

Dec 15, 2016

Espera natalícia

O dia acordou coberto por um manto de nevoeiro. O frio brinda o mês de Dezembro deixando a inevitável ideia, o Natal aproxima—se.
As pessoas correm nos seus afazeres, inserindo no seu tempo a preocupação das prendas e da ceia do dia 24.
Alheios a esta azáfama estão todas as pessoas que por algum motivo não podem participar, por doença ou incapacidade. Ficam no seu canto,em suas casas. O que fazem essas pessoas para preparar o Natal? Nada, pois nada podem fazer. Limitam—se a esperar que a noite mágica chegue e anseiam que os seus entes queridos se juntem à sua volta.
O tempo para estas pessoas é o tempo de per si ao contrário do tempo de quem vive a azáfama.
O Natal é um momento vivido a ritmos diferentes. Quem espera anseia, quem prepara nem tem tempo para esperar.

Nov 1, 2016

Histórias da Uvinha I- Saltos e Cambalhotas

O que se passará lá fora?
Não percebo! Num momento estou quieto no meu lugar,  aborrecido de tédio, noutro não paro de dar cabeçadas e cambalhotas. Até fico tonto de tanta agitação.
Confesso que, estar horas parado também me obriga a mexer para me esticar. Às vezes, entusiasmo-me e acabo por ficar mal disposto também.
Ultimamente, já estou a começar a perceber as rotinas. 
Ora, deixa-me ver.
Tudo começa com uma cabeçada gigantesca no topo aqui do espaço depois de estar parado imenso tempo. Presumo que ela dá um salto. Xiça, aqui é difícil não me enjoar. Não percebo o porquê do saltito.
Depois começam os barulhos da trituradora aqui em cima, mesmo no local aonde à pouco dei uma valente cabeçada.
Seguidamente, vem uma parte bem agradável! Eu acho que ela entra num local parecido com o meu, pois os barulhos são semelhantes. Não sei como ela entra e sai. Eu ainda não descobri a saída deste local mas está bem!
Passados uns momentos, lá começa o balanço. Ando para a frente e para trás. Pára, anda, pára, anda. Vocês não imaginam. Já bati com nariz de frente numa dessas paragens. O que deu? É claro! Enjoei à grande!
A seguir vem a parte da minha soneca. Ela pára imenso tempo e aqui que é  eu aproveito para dormitar. Aqui ando bem, pouca agitação e muito sossego.
Daqui uns tempos domino isto!


Dec 8, 2015

10.º aniversário, uma prenda para si!

O Diário resolveu comemorar o seu 10.º aniversário revisitando todos os contos de Natal que ao longo desta década criou. Podem lê-los em etiqueta própria.
Obrigada a todos os que, entre presenças e ausências conseguiram acompanhar-me nesta já longa aventura.

Fatias de amor dourado

Há muito, muito tempo numa terra distante vivia um Rei com uma filha muito bela, tão bela que não havia mais nenhuma mulher com tamanha beleza nas redondezas.
O Rei não tinha mais família senão a sua bela filha e protegia-a com todas as suas forças impedindo-a de sair do Palácio.
A Princesa cresceu rodeada pelos criados e criadas do reino não conhecendo mais ninguém. A única pessoa estranha ao Palácio autorizada a entrar era o padeiro pois a cozinheira real não era dotada para fazer pão e bolos e a princesa adorava pão.
Todos conheciam o Sr. António, o padeiro, que de madrugada chegava na sua carroça com preciosos manjares quentinhos do seu forno a lenha.
Certo dia de Inverno,l o Sr. António adoeceu e a entrega diária ficou comprometida. Não teve solução senão enviar o seu filho mais novo, aprendiz de padeiro, entregar a sua deliciosa encomenda.
-Miguel,  vai com cuidado e entrega esta carta ao guarda! Não dirijas palavra a ninguém, ouviste?
O Rei é a nossa principal fonte de sustento.
O seu filho mais novo assim fez. Nessa noite, acordou cedo para fazer os pães e bolos mais cobiçados por sua majestade e partiu em direção ao Palácio.
Na entrada entregou a carta ao guarda:
-Segue em frente até a porta vermelha, a da cozinha!
O jovem estava muito nervoso e nem decorou a cor da porta entrando pela primeira que encontrou, uma castanha. Só queria era entregar o pão e sair dali.
Contudo, assim que bateu à porta ela abriu-se e lá dentro, sentada numa mesa a bordar encontrava-se a donzela mais bela que já alguma vez sonhou. Ficou tão impressionado que não conseguiu explicar quem era.
-Quem és tu? -perguntou a donzela.
-Ahh..ahhh...
-És mudo?
-Nã....o.
-O que fazes aqui?
-Venho entregar o pão minha senhora.
-Ah..o Sr. António?
-Está doente! Eu sou o Miguel, seu filho.
-Tens ai pão quente?
-Claro.
Abriu o seu saco e tirou de lá o seu melhor pão. Estava quente ainda fumegava. A donzela pegou nele e arrancou um pedaço.
-És mesmo o filho do Sr. António. Era capaz de conhecer o seu pão em qualquer lado. Amanhã trazes-me um pão mais delicioso que este? Agora vai e bate à porta vermelha, não te esqueças!
O rapaz corado, baixou a cabeça e saiu.
Nessa noite, o jovem padeiro quase não dormiu e acordou cedinho para ir para o forno. Seu pai, até fiou surpreendido.
-Maria, parece que o nosso filho vai seguir as minhas pegadas- disse para sua esposa.
Miguel cozinhou nessa noite um pão nunca antes visto.
Entrou no Palácio e foi direto à porta castanha, novamente. Lá dentro, encontrou a bela donzela. Abriu o seu saco e deu-lhe o seu pão.
-Ah, o pão tem pintas pretas! Está cheio de carvão?
-Não minha senhora. São sementes de papoila. A mais bela flor do prado.
A princesa partiu um bocado, meio desconfiada e comeu.
-Humm...é...
-Diga, diga!
-Humm...é delicioso! Obrigada.
-Por favor não agradeça. Amanhã prometo que trago algo novo.
Assim fez, durante vários dias e semanas. O jovem padeiro trouxe diferentes pães, com várias farinhas, várias sementes, trazendo à princesa um pedaço do mundo exterior ao Palácio.
Contudo, certo dia o jovem foi apanhado e levado ao Rei para castigo.
Perante sua Majestade, que estava bastante furioso:
-Tu não tens noção do que fizeste! Violaste a principal regra deste reino!
O Rei tinha fama de ser bastante justo nas suas leis e regras, apenas nesta ele era totalmente implacável e para esta violação a pena era a sentença de morte.
-Tens direito contudo a uma última palavra!
-Meu senhor, posso pedir a mão de sua filha em casamento?
Todos os elementos da corte ficaram surpresos com tamanha audácia.
-Quem és tu e o que tens para oferecer à minha bela filha?
-Meu senhor, se me deixar passar uma noite junto ao meu forno trago-lhe o pão mais valioso que alguma vez viu.
-Ah..Ah!- sorriu o Rei que era bem disposto.
-A sério! Sua Majestade!
-Guardas! Levem-no para a casa do padeiro mas fiquem de guarda toda a noite. Quem o deixar fugir será condenado a morte como ele.
Miguel assim foi. Seu pai estava preocupadíssimo e seu mãe apenas chorava e dizia: o nosso filho não vai passar mais nenhum Natal conosco, António.
O jovem passou a noite em claro e de madrugada lá foi ele perante o Rei.
-Vamos lá despachar isto que eu quero dar inicio as festividades de Natal do Reino. Mostra lá o pão mais valioso. Ah...ah...
Miguel destapou a sua cesta de bolos e lá de dentro saiu um cheiro incrível, doce e ao mesmo tempo quente.
Pegou numa travessa e de repente todos ficaram boquiabertos. Nunca tinham visto fatias de pão dourado, tão dourado como o oiro mais belo e precioso.
O Rei pegou numa fatia e provou de olhos fechados. Entretanto, a corte ficou em suspense.
Depois, sua majestade abriu os olhos e virou-se para a sua filha:
-Meu bem mais precioso, creio que chegou a hora de te entregar. Virou-se para o jovem padeiro e disse:
-Concedo a mão da minha filha a o homem que transformou pão em ouro. Que se iniciem as festividades de Natal e que se prepare a mais bela festa de casamento mas com uma condição!
O jovem tremeu.
-Miguel, posso tratar-te por Miguel, não posso? Já que irás ser meu futuro genro, fazes mais destas fatias douradas, não fazes?
E assim viveram felizes para sempre.



Nov 14, 2015

Amizade asna

Um burro ia sempre para junto do muro sempre que um velho passava. O idoso nunca lhe ligava nenhuma.
O asno estava preso ao pedaço de terra rodeado por um muro de pedras e o velhote passava ali porque tinha que passar que ir à Horta. Ia lá todos os dias nem que fosse juntar umas folhas caídas na noite anterior. Era uma forma de ocupar os seus dias.
Certo dia o velho passou lá e o burrico não apareceu. Estava deitado à sombra cabisbaixo. O idoso achou estranho e aproximou—se do muro. O burro olhou para ele mas não se mexeu.
O velhote lá foi à horta e regressou.Passou pelo muro e o burrico não se tinha mexido. Intrigado, deu por si a perguntar:
—Estás doente?
—Não. Respondeu o asno.
—Então porque não me vieste ver?
—Oh, porque todos estes anos te fui visitar e tu nunca percebeste o que eu queria.
— Não vinhas ao muro para me ver?
—Sim e tu algum dia o fizeste?
O idoso percebeu que por mais inocente uma amizade seja ela não é burra o suficiente para apenas viver sozinha.

Sep 7, 2015

O desejo de não estar

O que é que nos faz querer estar onde não estamos?
A desejo do estar ou o desejo do não estar?
Eu acho que é por não conseguirmos ver realmente onde estamos nem onde não estamos que nos faz querer mais. Não porque esse mais seja melhor mas, visto daqui parece que sim. É assim, nesta necessidade constante de estar onde não se está que se vive até ao dia onde se desejava estar onde se esteve porque, nessa altura, o que se vê daí é um fim que nunca se pensou existir.

Aug 26, 2015

Caos

Quando ninguém percebe,
Quando toda a gente teme,
A confusão é lançada,
E a calma só regressa à pancada.

Todos falam o que não viram,
O que julgam que ouviram,
Inventam o que queriam desejar,
Incendeiam quem está aonde ambicionam estar.

É assim a luta da selva da história,
De um Reino sem líder,
É assim o estado,
De um mandato pregado na discórdia.

O que fazer neste caos?
Aonde cada suspiro é morto,
Por cada nervo,
Aonde cada sorriso é arrancado,
Por um segredo obscuro,
Que todos adivinham mas ninguém sabe.

Ai nação pedante,
Que os teus filhos convidas a sair,
E os estrangeiros  com ouro conquistas!

Nação que só olhas para o que tens,
Quando para os outros é moda.
Não por teres orgulho em ti mesma,
Mas sim porque alguém olha para ti.

Nunca deixei de acreditar,
Mas custa, custa tanto,
Que este esforço imenso,
De lutar pelo que defendo é esmagado com desânimo.

Aí nação valente,
Que unida teve o mundo,
E que separada nem a si própria consegue manter.

Vou descansar para ganhar força,
Não força para em ti acreditar,
Mas sim coragem,
Para enfrentar caminho que no caos me deixaste.