Aug 26, 2015

Caos

Quando ninguém percebe,
Quando toda a gente teme,
A confusão é lançada,
E a calma só regressa à pancada.

Todos falam o que não viram,
O que julgam que ouviram,
Inventam o que queriam desejar,
Incendeiam quem está aonde ambicionam estar.

É assim a luta da selva da história,
De um Reino sem líder,
É assim o estado,
De um mandato pregado na discórdia.

O que fazer neste caos?
Aonde cada suspiro é morto,
Por cada nervo,
Aonde cada sorriso é arrancado,
Por um segredo obscuro,
Que todos adivinham mas ninguém sabe.

Ai nação pedante,
Que os teus filhos convidas a sair,
E os estrangeiros  com ouro conquistas!

Nação que só olhas para o que tens,
Quando para os outros é moda.
Não por teres orgulho em ti mesma,
Mas sim porque alguém olha para ti.

Nunca deixei de acreditar,
Mas custa, custa tanto,
Que este esforço imenso,
De lutar pelo que defendo é esmagado com desânimo.

Aí nação valente,
Que unida teve o mundo,
E que separada nem a si própria consegue manter.

Vou descansar para ganhar força,
Não força para em ti acreditar,
Mas sim coragem,
Para enfrentar caminho que no caos me deixaste.

Jul 21, 2015

Tó Tuga, preciosidade portuguesa não é barata

Tó Tuga encontra o seu amigo Miguel Roscas à saída de um estabelecimento chinês com um papagaio de papel já envelhecido na mão:
—O que fazes aqui? Andas às pechinchas? Olha que isso parece velho! Foste enganado!
—Oh, eu fui vender e não comprar.
—Ein! Eles aqui compram velharias?
—Até compram. Eu é que não vendo.
—Então? Não pediste um preço em conta? Isso já não presta!
—Também tu? Isto é um papagaio português antigo, uma antiguidade e não espanhol. Lá porque eles compram os aeroportos deles a preço de uva mijona nao quer dizer que façamos o mesmo!

Notícia Atugada: (http://sol.pt/Mobile/Noticia/403189)

Jul 19, 2015

Grãos de tempo

Um menino foi à praia com o avô. A viagem era um pouco longa, então, pela hora do calor ficavam à sombra do chapéu, à espera de nova oportunidade de brincadeira ao Sol.
Passados uns minutos de sombra, diz o menino:
— Avô, já posso ir à água?
—Ainda não! Só passou meia hora. Tenta descansar.
Um tempo depois volta a perguntar:
—Avô, já se pode?
—Não, ainda não. Tens fome?
—Não! Avô?
—Sim?
—Porque o tempo demora tanto tempo a passar?
—Olha! Chega aqui ao pé de mim!
O menino mudou de toalha e sentou—se junto ao avô.
— Agora junta as tuas mãos como eu em forma de concha!
O menino assim fez, muito curioso.
—Assim que eu disser enchemos—as de areia!
—Está bem!
—Agora!
Os dois encheram as mãos de areia.
—Oh! O avô ganha. Tem as mãos maiores!
Contudo, por entre os dedos já tortos da idade, a areia do avô foi caindo até que rapidamente as suas mãos ficaram vazias. O menino ao ver, disse:
—Deixaste cair avô?
—Pois meu menino. Sabes o tempo é como os grãos de areia. Apanha—se rápido mas também se perde. E olha! O avô foi depressa.
O menino olha para as suas mãos, com um pequeno monte de areia e coloca—as em cima das do avô e diz:
—Avô, eu dou—te um bocado do meu tempo!
O idoso comovido abraçou o neto com toda a força.

Jul 15, 2015

Tó Tuga, por acaso como iogurte grego

Tó Tuga estava à janela a comer um iogurte grego quando passa o seu primo Zé Torresmos que pergunta espantado:
— Estás doente primo? — Pois jamais tinha visto tal coisa. À tarde era hora de bejeca, vá no inverno, às vezes uma aguardente para aquecer.
—Nada disso!
—Então estás a comer iogurte porquê? Isso é comida de gaija.
— Estou a ajudar a Europa.
—  Ein? Não entendi?
—  Estes são gregos!
— E daí? Apanhaste Sol na boneca, foi?
—  Não percebes? Se eu comer os gregos ajudo a economia?
— Ah! Eles vendem mais...Tu és um génio.
— Por acaso foi ideia minha!

Notícia Atugada(
http://observador.pt/2015/07/13/por-acaso-foi-uma-ideia-minha-que-desbloqueou-o-acordo/)

Jul 10, 2015

Pedaço de mar

O caracol agita,
A lapa agarra,
O camarão saltita,
A onda refresca.

A estrela do mar esconde,
O que o caranguejo protege,
A alga flutua o que a poça nua,
A vida veste.

O camarão explora,
Os cantos do que de novo surge,
Na agitação calma,
Que a onda embala.

Oh, lapa, que daí não foges,
Só para ali vais, ali do outro lado,
Lado deste pedaço,
De mar amado.

Caracol atleta,
Que depressa acha,
Que dali têm,
Tudo o que convém.

Aí estrela guia,
Aqui me trouxeste,
A este mar gerado,
Neste pedaço de rochas criado.

May 3, 2015

Oh Freguês vai uma azeitona! Oh Sócio e um tremoço?

Numa praça de Lisboa, numa banca estava um tremoço e uma azeitona, cada um no seu recipiente. De repente, aproxima-se um cliente e a azeitona aproveita logo:
-Oh Freguês! Não vai querer uma saborosa e moreninha!
Ao seu lado, o tremoço, não querendo perder a oportunidade:
-Qual moreninha qual quê? Aqui o sócio vai querer é uns belos tremocinhos para acompanhar uma "bejeca" bem fresquinha e ver o jogo de futebol!
-Freguês, só quero o seu bem! Já viu o que ganhava ao chegar a casa com umas moreninhas para acompanhar um bacalhau a Braz ou a Gomes Sá! Sua esposa ia adorar!
-Sócio! Sócio!
 Se do Benfica for, tremoço vai querer, 
 Se do Porto torcer, tremoço vai morder,
 Se do Sporting sofrer, pelo tremoço vai tremer!
A luta de pregões estava acesa. O cliente tira o porta moedas e diz:
-Este domingo há jogo! Vou levar....
De repente aparece a sua esposa, que rapidamente o interrompe:
-Oh, querido! O que faria sem ti! Acabei agora mesmo de comprar uns ovos para o bacalhau a Braz!
A azeitona, toda vaidosa! Sorri!
-Bem, vou levar um saquinho de cada! As azeitonas e os tremoços!
Assim, os dois foram parar ao saco das compras da praça, bem ao lado um do outro, junto a uma alface viçosa, que as saúda:
-Bem vindas, amigas,, às ultimas horas da vossa vida! Ouvi o quanto apregoaram por vencer! Parabéns ganharam as duas!
A azeitona olhou para o tremoço e ali ficaram, calados à espera do seu troféu!
Por vezes, ficamos tão preocupados em ultrapassar o próximo e esquecemo-nos daquilo o que realmente é melhor para nós.

Mar 1, 2015

O orfanato das maças

-Mana, lá vem uma morena agora! Parece simpática!....Apanhou-me, yuppie! Oh! Não foi desta! Olhou para as minhas manchas! Deve ter sido! Se tivesse a pele lisa e sem estas manchas castanhas levar-me-ia!
-Olha, agora vem uma mãe de família! Que linda pequena filha ela tem! Dava uma boa companhia de brincadeira! Oh! Não me levou porque sou gorda demais! Se fosse maneirinha como aquelas ali do lado!
-É agora mana! Vem lá uma Hippie gorducha! Elas de certeza que não se importam com os defeitos dos outros e como é mais cheinha vai-me levar de certeza! Oh! Não me quer porque não pareço natural!
-Mana, passou mais um dia e nós aqui ficámos! Os dias passam, pegam em nós, acariciam-nos e até chegam-nos  a cheirar para confimar se somos perfumadas mas nunca nos levam. Se elas soubessem o que custa ficar aqui, ser rejeitada! Não nos peguem! Ignorem-nos! Não precisam de nos criar expectativas e depois voltarem-nos a por no mesmo sitio. Não sou perfeita! Tenho manchas e sou rechonchuda mas mereço respeito! Pensem nisso! Cada vez que nos pegam e nos atiram novamente para aqui ficamos com mais uma mágoa, mais um pedaço de nós que fica pisado pela desilusão!
A mana, olha para ela e responde!

-Oh! Não ligues! Nós maças, se não formos escolhidas agora vamos servir para fazer doce!

Jan 26, 2015

Quero parar!

Gostava que o tempo parasse,
Que o ponteiro esperasse,
Gostava que o momento para já ficasse,
Que pudesse olhar, viver e repetidamente te amasse.

Queria que os minutos não me fugissem,
Como grãos de areia, por entre os meus dedos não partissem,
Queria ter tempo, para que no tempo me aborrecesse,
Que pudesse parar, para observar para quem amo não me esquecesse.

Dou por mim a ver os minutos passar,
E por dentro gritar para ali ficar,
Dou por mim a pedir para respirar,
Porque sem respirar, apenas vivo para estar.

Cada fase da vida passa como se fosse uma corrida,
Prova que nem da meta queria ter saída,
Não quero correr, quero caminhar,

De mão dada, contigo, para sempre andar.

Jan 22, 2015

Folha em branco quase escrita

Olho para uma folha em branco e vejo tudo,
Tudo o que nada vejo,
Tudo o que nada sinto,
Tudo o que para sempre desejo.

Olho para uma folha escrita e vejo nada,
Palavras vazias e textos ocos,
Imagens bonitas de quase nada,
Notícias forçadas e fatos loucos.

Olho para as pessoas e vejo o quase,
Quase felizes e quase tristes,
Quase invejosos e quase orgulhosos,
Quase a viver e quase a morrer.

Olho para mim e olho para o lado,
O mim é meu e o do lado também seria,
Seria se injustiça não houvesse,

E se o lado para a minha felicidade não importasse.

Jan 20, 2015

A espera de mais que algo

A espera estava sentada num banco do jardim quando aparece a ansiedade e pergunta:
-O que fazes aqui?
-Nada!
A ansiedade, totalmente desconhecedora dessa palavra insistiu:
-Estás sentada no banco do jardim, é porque estás a descansar!
-Não!
-Estás a observar as folhas a cair?
-Nem reparei!
-Estás a apanhar Sol?
-Está Sol, não tinha visto ainda!
-Ai! Estás-me a deixar nervosa! Como é possível estares assim!
-Assim como?
-Assim parada…
-Não estou parada!
-Bem! Tu disseste que estavas a fazer nada!
-Então! Está tudo dito!
-Está tudo dito, o quê?

-Estou aqui a fazer algo: nada! E como tu mesmo concluíste é muito difícil!