May 21, 2013

Pulga sem abrigo


Uma pulga salta para a pata de um cão, este ao senti-la, leva a pata junto ao focinho e diz-lhe entre dentes:
-Sai daqui senão mordo-te!
A pulga salta logo e regressa à relva. Passados uns momentos encontra um gato. Nem pensa duas vezes e salta logo para a sua pata.
O gato ao senti-la sacode com a outra pata de unhas afiadas e diz:
-Sai daqui senão arranho-te!
O inseto vai para a relva novamente e ali fica. Após algum tempo passa o Coelho na sua caminhada e na falta de alternativa resolve saltar-lhe para a perna.
Coelho, ao sentir a primeira picada diz:
-Sai daqui senão despeço-te!
A pulga, muito intrigada, perguntou:
-O que é isso?
-Tiro-te o trabalho, mando-te para casa durante uns tempos e depois para a rua sem ordenado!
A pulga não saltou.
O Coelho já cheio de comichão pergunta:
-Porque não foste embora e não paras de me morder?
-Porque não podes tirar o que já não tenho, mandar-me para algo que nunca tive  e voltar a pôr-me de onde nunca saí.

May 15, 2013

Tudo e um par de Botas


Há muito mas muito tempo vivia um sapateiro chamado Botas que passava os dias a criar sandálias e chinelos. O calçado da altura. Não havia mais nada. Apenas as pessoas ricas andavam calçadas. Todas as outras andavam descalças, o ano inteiro.
Certo dia de Inverno muito chuvoso, o sapateiro chegou ao trabalho todo molhado e cheio de lama nos pés.
Não havia muito trabalho nesses dias porque os ricos não saíam de casa para não se constiparem. Apenas os pobres seguiam com a sua labuta fizesse chuva ou fizesse sol.
Aborrecido com a pasmaceira. Olhou para os restos de pele de porco, espalhados pelo chão da sua sapataria e pensou:
-Poderia limpar o chão mas não me apetece nada! Além disso, é um desperdício queimar estes bocados pequenos de pele.
Entretido nos seus pensamentos olhou para os seus chinelos, junto a fogueira a secar e teve uma ideia. Varreu todos os pedaços para um monte e começou a cozê-los uns aos outros sem parar. Ficou com uma peça enorme.
Cansado, adormeceu ao calor da fogueira e deixou cair inconscientemente o tecido cozido para cima das pernas.
De repente, acordou e reparou que tinha os pés quentes. Então pensou:
-E se eu tapasse os pés?
Pegou na linha e na agulha e cozeu o tecido em volta dos pés. Acrescentando uma sola.
Calçou o novo calçado. Gostou e saiu para a rua. Ao passar pela rua, todos comentaram:
-Ele tem um par com tudo tapado, o Botas!
O espanto foi tanto que o boato circulou a imensa velocidade que rapidamente chegou aos ouvidos do Rei:
-Ele tem tudo e um par de botas!
O rei vaidoso e acostumado a ter tudo mandou chama-lo essa noite. O sapateiro chegou junto de sua majestade que lhe perguntou:
-Neste reino só eu é que tenho o direito de ter tudo! Tu tens mais um par de botas! Também quero um já!
O sapateiro, assustado, passou a noite toda a cozer e fez um par para o Rei.
No dia seguinte, havia um baile de gala. O rei calçou o par novo, sabendo que ia gerar a cobiça de toda a nobreza.
Assim que ele apareceu toda a gente grita, olhando para os pés de sua majestade:
-Viva el Rei, que tem tudo e um par de…
Na criadagem uma voz sobressaiu, sabendo do sacrifício do sapateiro para satisfazer os caprichos reais:
-Botas!
E todos repetiram:
--Viva el Rei, que tem tudo e um par de Botas.

May 14, 2013

Estás a olhar para quê?


Um burro estava junto a uma árvore parado a olhar para um pássaro que se espiolhava.
A ave já intrigada:
-Estás a olhar para quê?
O jumento, estático nem pestanejava.
-Ai! Estás a olhar para quê? Oh burro!
O animal absorto e imóvel continuava.
-Era só o que faltava agora! Um burro especado a olhar para mim! – Falava a ave para si mesma.
-Acorda! Jumento! Para já com isso! Não vês que estás-me a incomodar.
Nada acontecia. O pássaro já desesperado não sabia o que fazer. O animal não se mexia.
 Passado algum tempo, uma mosca poisou no rabo do burro e pico-o. O burro deu um coice no ar e desatou a correr pelo campo desalmadamente.
O pássaro finalmente ficou sozinho.
-Agora já posso limpar as minhas penas descansado!
Após alguns momentos, a ave começou-se a sentir incomodada. Faltava ali qualquer coisa. Tentou fechar os olhos para dormitar e não conseguia. Olhava em volta da árvore e estava só.
No fundo do campo, estava o burro! Num canto, entretido a comer umas ervas.
A ave voou para um arbusto junto à cerca aonde o animal estava.
O jumento, nem se levantou. As ervas estavam frescas.
O pássaro viu umas sementes debaixo do arbusto, voou para a terra e começou comer.
Os dois ficaram ali horas, sem falar, sem se olharem, apenas a alimentar-se. Um preso na admiração da solidão do outro.

A corda do boneco


A entrevista tinha corrido bem. Estava com algumas esperanças de conseguir o cargo embora, saísse de lá com a sensação que não sabia muito bem para que servia. Pediam resistência e robustez apenas.
No seu anterior trabalho, amarrava caixotes num armazém por isso estava habituada. Gostava de sentir o stress quando carregavam os camiões. Sentia-se forte e útil. A crise chegou e o dono decretou falência.
Agora, após o envio de imensos currículos tinha conseguido uma entrevista.
-É melhor que nada! – Pensava.
No dia seguinte, ligaram-lhe a fazer-lhe uma proposta. Ficou radiante. Aceitou logo.
Passados alguns dias começou a trabalhar. No início teve formação. Explicaram-lhe aonde tinha que exercer mais força, onde eram dados os nós, etc.
Ia sempre para casa feliz e contente. Ninguém lhe explicava ao certo o que tinha amarrado. Apenas como fazê-lo e aonde.
Após algum tempo, começou a trabalhar sozinha. Chegava todos os dias a horas. Esticava-se. Amarrava os nós e lá ficava. Havia períodos de vendaval e ai sim exercia força mas outros eram tão calmos que quase que adormecia ao serviço.
O tempo ia passando. Contudo, continuava sem saber o que amarrava. As colegas iam e viam sem muita motivação e ela não percebia.
Certo dia, encontrou uma antes de começar o trabalho e perguntou:
-Bom dia! Sabes o que amarramos e para que serve.
A outra corda olhou para ela, com espanto e disse:
-Não sabes ainda?
-Não! Nós trabalhamos para o boneco. Isto é um parque infantil. Nós sustentamos um boneco insuflável admirado por todos. Ele é a estrela. Ninguém sabe que nós existimos.
A corda sentiu que alguém lhe tinha tirado o tapete. Todos os dias a trabalhar para quem todos admiravam sem nunca mas nunca sequer dar valor às cordas que o faziam crescer.

May 13, 2013

O ratinho de sabão


O ratinho Tutsy andava a procura de comida na despensa. Encontrou um pacote de bolachas de água e sal e encheu a barriga. Após o manjar, ficou com sede e decidiu procurar água para beber.
Num canto da despensa estava um balde com água. A dona Ermelinda esqueceu-se de o despejar. O que era raro porque não gostava de armazenar águas paradas.
O ratinho subiu para uma prateleira e saltou para cima do suporte da esfregona. Olhou lá para dentro e viu o seu reflexo. Cheirava bem. Pensou:
-Água! Estou cheio de sede!
Olhou em redor, pensando como poderia descer e principalmente como voltaria a subir. Decidiu agarrar-se a um fio da esfregona, pendurar-se de cabeça para baixo e beber.
Assim o fez. A água tinha um sabor estranho mas como estava com tanta sede não desistiu.
Após encher a barriga, voltou a subir. No entanto, começou a sentir-se um bocado indisposto.
-Vou voltar para toca para dormitar um pouco.
Ao saltar para a prateleira, soluçou e ao fazê-lo saiu da sua boca uma bola de sabão. Ficou assustado. Via-se no reflexo da bola que crescia, crescia ficando maior que ele. Sentia medo e tentou abanar a cabeça para que aquilo desaparecesse. No entanto, a bola absorveu-o e Tutsy ficou dentro dela.
Sem saber o que fazer, ficou estático de medo. A bola levantou voo.
O ratinho via o chão cada vez mais longe. Quanto mais alto, mais aterrorizado ficava e não se mexia.
A bola de sabão, empurrada por uma corrente de ar, dirigiu-se à janela e Tutsy saiu para a rua.
Viu as árvores, as casas e as flores. Estava Sol.
Aos poucos o medo foi substituído pela felicidade de voar.
-Yuppie! Sou um pássaro! – Pensou.
O vento empurrava a bola. O pequeno ratinho estava radiante. Nunca tinha visto o mundo daquele ponto de vista apenas concedido às aves.
De repente, viu lá em baixo um bolo caído no chão. Mexeu-se para olhar para baixo. Um dos seus bigodes tocou na bola e rebentou-a.
Tutsy, começou a cair do ar, em pânico. Temeu o pior.
Viu as casas a aproximarem-se, os telhados, as pedras do passeio cada vez mais perto. Resolveu fechar os olhos. Sentia o fim a aproximar-se.
De repente, ouviu um grito:
-Socorro, um rato!
Era a dona Ermelinda que entrava na despensa e via Tutsy, deitado junto ao balde, adormecido com o sabão da água que tinha bebido.
Correu e jurou jamais beber água que cheirasse bem e com sabor estranho.

May 7, 2013

Jardim dos Cravos


O Rei dos Sonhos encontrou-se no cruzamento das ovelhas sonolentas, no país das nuvens, com o Imperador dos Pesadelos.
-Olá Mano! Como estás?
-Estou de rastos! Tenho que arranjar alguém para me ajudar. Não dou conta do recado.
-Puxa! Tens assim tantos pesadelos para entregar?
-Muitos. Passei agora por Portugal e estou cansadíssimo.
-Portugal, Portugal…Isso é junto a Espanha?
-Não sabes onde é?
-Claro que sei. Aliás houve uma altura da minha vida em que eu ia lá muito. Concedi muitos sonhos de esperanças: liberdade, prosperidade, paz…
-Quando?
-Salvo erro foi em Abril de 1974…Chamei-lhe o Jardim dos Cravos Vermelhos.
-Agora, tenho lá ido muitas vezes.
-Eles estão deprimidos, é? O que aconteceu ao Jardim?
-Eles bem tentaram regá-lo durante muitos anos mas não sobreviveu às constantes pisadelas.


Participação Tema de Maio da Fábrica das Letras



Apr 16, 2013

Sou a maior


Uma mosca voava à procura de comida e encontrou um doce tapado com uma tampa de rede. Posou em cima do candeeiro mesmo por cima da mesa à espera que algum Humano tira-se a tampa.
Passados alguns minutos, apareceu um mosquito atraído pela luz. Agarrou-se à lâmpada e ali ficou esparramado.
-Ah, calor! – Dizia satisfeito.
O mosquito estava tão feliz que mais nada parecia interessar.
A mosca esperou, esperou e o doce continuava tapado. Começava a ficar com fome. Cada vez que olhava para a felicidade do mosquito mais irritada ficava:
-Olha lá! Oh, baixote!
O mosquito de olhos fechados e colado à lâmpada nem reparou no apelo.
-Oh meia-leca! Estás a ouvir? Magricela! Estou a falar contigo!
O mosquito abriu os olhos, levantou ligeiramente a cabeça e reparou na mosca:
-Estás a falar comigo?
-Ai, tu vê lá se não queres apanhar! Fininhos como tu, como-os ao pequeno-almoço!
O mosquito calmamente respondeu:
-O que é que eu te fiz para tu me insultar e ameaçar?
-Existes e és magrinho! Isso irrita-me!
O mosquito respondeu:
-Está bem!
-Está bem? É só isso que tens para me dizer? Fazes o que eu te vou dizer ou espanco-te até aos ossos!
O pequeno inseto já a ficar chateado:
-O que queres?
-Quero que voes até aquela coisa de rede que tapa o doce, entres pelos buracos e me tragas comida que estou esfomeada!
O mosquito, com receio, assim o fez. Voou, passou pelos buracos fininhos. Pousou no doce. Agarrou um pequeno pedaço com as patas e voltou.
A mosca quando viu que o bocado era pequeno, resmungou:
-Vais lá voltar que isto não cabe na cova de um dente!
O mosquito voltou e voltou várias vezes até a mosca ficar de barriga cheia sem nunca sequer ter oportunidade de provar a iguaria.
De repente, veio um humano e destapou o doce.
A mosca gulosa tenta levantar voo. Bate as asas com todas as suas forças mas não consegue devido ao peso.
O mosquito mais leve voa para o doce e delicia-se.
Lá de cima do candeeiro a mosca diz:
-Sai daí que esse doce é meu! Eu dou cabo de ti.
O mosquito já satisfeito respondeu:
-Tive mais medo da tua fome do que da tua gula!
  A mosca enraivecida ali ficou a ver o mosquito comer o doce que tanto queria ter.

Apr 10, 2013

O salto da cusquice


Uma cigarra passeava por um caminho. Debaixo de uma folha velha, encontrou uma lesma preta e muito gorda. Quase não se conseguia mexer!
-Olá “Kida”! Tu estás ótima! Cada vez mais magra.
A lesma, muito espantada respondeu:
-Obrigada!
O inseto seguiu caminho, cantarolando. Ao pé de uma pedra, viu uma lagarta verde e gorda que se encontrava suspensa a comer umas ervas.
-Não sei como consegues estar sempre a comer e manter a linha. Estás fantástica! O mesmo não acontece com a lesma. Já a viste?
A lagarta, de boca cheia, agradeceu:
-Obrigada!
A cigarra continuou o seu passeio. Junto a um tronco morto, encontrou uma minhoca rosa e esbelta a rebolar na terra molhada.
-Amiga contínua com o exercício! Só assim é que consegues ter esse corpo! Não é como a lagarta e muito menos como a lesma. Estão gorduchas!
-A sério! Obrigada!
A uns metros à frente, a cigarra, encontrou um gafanhoto saltitante, de pernas finas e alongadas.
- Espetáculo! Hoje ainda não vi ninguém tão esbelto.
O gafanhoto levantou as patas. Coçou o nariz e disse:
-Obrigado! Sabes como o consigo?
-Não! Conta-me!
-Hoje não descansei debaixo de uma folha velha, não fiquei suspenso numa pedra nem rebolei junto a um tronco velho.
A cigarra, cheia de vergonha, seguiu o seu percurso calada.

Apr 9, 2013

A corda du amour


Numa corda da roupa estava um pombo a baloiçar. Aquele era um dos seus poisos preferidos pois tinha uma visão abrangente de todas as pombas que poisavam no jardim em frente. Ao seu lado, poisou uma gaivota-macho:
-Ai! Vou cair, isto é muito instável. Prefiro o baloiço de um mastro dum barco em alto mar.
-Não é nada! – Disse o pombo.
- Tens é que manter o equilíbrio.
A gaivota-macho olhou de lado para o pombo e respondeu:
-És mas é doido! Uma corda destas, fininha e a abanar ao vento! Esquece lá isso!
A gaivota-macho levantou voo e fugiu para um poste em frente.
O pombo lá continuou. Fazendo até umas pequenas pausas para compor as penas das asas.
Passados alguns momentos poisou um melro.
-Este galho é muito fino! Prefiro os ramos mais altos da árvore.
-Não é nada! Tens é que manter a calma.
-Nem pensar! – Afirmou o melro voando para uma árvore ali perto.
Passados alguns momentos, estava o melro e a gaivota a observarem o pombo, cada um no seu poiso, quando chegou uma gaivota fêmea e poisou no jardim.
A gaivota-macho que estava em cima do poste começou a compor a postura para chamar a atenção.
De repente, chega uma amiga da gaivota, uma melra acastanhada linda de morrer.
O melro estica o pescoço para se aperaltar.
As três repararam no pombo que estava ainda na corda. Estavam embevecidas.
-Que corajoso! Tens que lhe falar! – Disseram a melra e a gaivota em coro para a pombinha.
Ela voou para a corda do pombo e ele falou-lhe ao ouvido. Voaram para um sítio mais reservado.
A melra e a gaivota voaram e foram-se embora.
O melro, muito triste vira-se para a gaivota-macho:
- Estás a ver! O pombo passou o dia poisado numa corda fininha sem fazer nada e conquistou uma princesa.
Entretanto o pombo, com ar satisfeito voltou a pisar na mesma corda.
O melro e a gaivota-macho voaram ao mesmo tempo e poisaram na roldana:
-O que disseste à pombinha para a conquistares logo?
O pombo sorriu e disse:
-Tu não voas! Tu deslizas!

Apr 8, 2013

Deixa-me ser pequenina


Uma formiga ia a atravessar, calmamente, uma estrada . No outro lado, estava um elefante que, ao ver um camião no horizonte gritou à formiga e disse:
-Atenção! Corre, vem ai um camião!
A formiga, calmamente, continuou a sua caminhada sem ligar nenhuma ao elefante.
-Estás a ouvir! Vem ai um camião! – Gritou o elefante com a voz mais forte que pode.
O pequeno inseto não alterou o passo.
O paquiderme já nervoso pensou:
-Se calhar é surda! Tenho que agir!
O elefante respirou fundo, correu para a estrada e tentou agarrar a formiga mas não teve tempo. O camião viu o animal, travou a fundo mas não conseguiu deixar de evitar de lhe dar uma pancada.
Deitado no chão com uma pata magoada, o paquiderme respirou de alívio mas com orgulho de si próprio.
A formiga caminhou em direção à sua tromba e ficou a olhar olhos nos olhos com o elefante:
-Ainda bem que o motorista do camião me viu. O meu tamanho serviu para alguma coisa.
-Obrigado pelo esforço mas não era preciso.
-Claro que sim. Podias morrer! És demasiado pequena. O camião nunca te iria ver.
-Certo, mas a probabilidade de me acertar era tão remota que nem me preocupei. Assim magoaste-te.
O elefante, cansado, adormeceu.

Os “grandes” até podem tentar ajudar os mais pequenos mas dão tanto nas vistas que correm mais perigo ao fazê-lo do que ao não fazer nada.

Apr 4, 2013

António Torresmos


António Torresmos, porco de profissão, vem por este meio apresentar demissão.
Durante anos prestou serviço à nação como porco. Foi extremamente difícil obter o diploma. Desde potro que tinha esse sonho. Recorda-se como foi aquele dia. Estudou vários minutos: o ronco, a forma de chafurdar e até o abanar de rabo gordo.
Foi difícil, mas passou com distinção. Já tinha alguma experiência em partilhar a manjedoura com porcos.
No exame perguntaram-lhe:
-Como faz o porco!
Pensou, pensou e respondeu:
-Oinc, oinc.
-Dada a experiência que possui e a sabedoria necessária para a função. Os meus parabéns. Possui equivalência a porco.
Foram anos a exercer mas chegou a altura de abandonar a profissão. Não aguenta os insultos pois sempre que passa na rua perguntam-lhe:
-Oh, suíno já foste porco hoje?
Não aguenta mais e desiste.
Diz que quer ser cavalo! Pode ser que até consiga uma equivalência, uma vez que tem crinas e ferraduras, apesar de possuir a altura de um pónei.